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Campanhas da OAB Paraná avançam e percentual de prejuízos com o golpe do falso advogado cai

A atuação permanente da OAB Paraná no enfrentamento ao golpe do falso advogado apresenta um novo e importante resultado em 2026. Mesmo diante do crescimento expressivo do número de registros, a proporção de casos em que as vítimas efetivamente sofreram prejuízo financeiro voltou a cair. Em 2025, foram contabilizados 2.103 registros, dos quais 557 resultaram em prejuízo financeiro, o equivalente a 26,5%. Em 2026, os registros já chegam a 3.600, crescimento superior a 70%. Desse total, 2.794 (77,61%) não resultaram em perda de dinheiro, enquanto 806 (22,39%) tiveram prejuízo financeiro. Na prática, quase oito em cada dez registros feitos em 2026 não tiveram prejuízo financeiro. Ao mesmo tempo em que houve uma ampliação significativa das comunicações recebidas pela entidade, a proporção de casos com perda financeira recuou 4,11 pontos percentuais em relação a 2025. Para Leandro Pereira, coordenador da Comissão de Inteligência e Combate ao Golpe do Falso Advogado da OAB Paraná, os dados reforçam a importância de uma estratégia que tem na informação e na prevenção dois de seus principais pilares.“Os números mostram que estamos no caminho certo, embora ainda tenhamos muito trabalho pela frente. Em 2025, 26,5% dos registros resultaram em prejuízo financeiro. Em 2026, mesmo com um crescimento de mais de 70% no número total de registros, esse percentual caiu para 22,39%. Hoje, quase oito em cada dez casos registrados não resultam em perda financeira”, afirma Pereira. Atuação que ultrapassa os limites da OAB O enfrentamento ao golpe do falso advogado vem sendo construído pela OAB Paraná a partir da compreensão de que um crime dessa dimensão e complexidade não pode ser combatido por uma única instituição. A estratégia adotada pela Seccional reúne prevenção, orientação, inteligência, articulação institucional e cooperação com os órgãos responsáveis pela investigação e repressão aos crimes. Nesse trabalho, foram realizadas reuniões e articulações com delegacias da Polícia Civil e órgãos de segurança pública, tribunais, instituições financeiras e bancos, Meta/Facebook e outras instituições diretamente relacionadas às diferentes etapas utilizadas pelos criminosos para a prática das fraudes. A interlocução busca contribuir para o aperfeiçoamento dos mecanismos de prevenção e investigação, além de discutir medidas relacionadas à utilização indevida de dados processuais, perfis e contas empregados nas abordagens, meios de pagamento e movimentação dos valores provenientes dos golpes. A atuação também avançou para instituições capazes de ampliar significativamente o alcance das campanhas. A OAB Paraná estabeleceu diálogo com a URBS, além de intensificar a aproximação com prefeituras e secretarias municipais de Comunicação, buscando fazer com que as orientações ultrapassem os canais tradicionais da advocacia e cheguem diretamente à população. Estratégia de prevenção A Comissão vem realizando reuniões e articulações com administrações municipais, Subseções e estruturas de comunicação em diferentes regiões do Paraná, incluindo Cascavel, Laranjeiras do Sul, Maringá, Umuarama, Francisco Beltrão, Irati, Foz do Iguaçu e Ponta Grossa. O objetivo é construir uma rede cada vez mais ampla de prevenção, aproveitando a capacidade de comunicação das instituições parceiras para multiplicar as orientações sobre o golpe. A premissa é fazer com que a informação chegue antes dos criminosos: quanto mais pessoas souberem reconhecer a abordagem, desconfiar de pedidos urgentes de pagamento e confirmar as informações diretamente com seu advogado, maior será a possibilidade de interromper a fraude antes da transferência de qualquer valor.“É um indicativo importante de que a informação, a orientação permanente e as campanhas de prevenção estão chegando à sociedade e ajudando as pessoas a reconhecer o golpe antes de realizar qualquer pagamento”, destaca Pereira. Parcerias ampliam o alcance da prevenção Além das ações desenvolvidas diretamente pela OAB Paraná, o enfrentamento tem sido fortalecido por parcerias capazes de levar a mensagem preventiva a novos públicos. Entre as iniciativas estão os cursos via ESA; as cartilhas disponibilizadas à sociedade e advocacia; outra cartilha produzida pela Lupa, em parceria com as OABs do Paraná, São Paulo, Espírito Santo, Goiás e Pernambuco, com apoio do Jusbrasil. Os materiais explicam como funciona o golpe, apresentam sinais de alerta e orientan a população sobre as providências a serem adotadas diante de uma tentativa ou ocorrência. A cartilha reforça orientações que integram as campanhas da OAB: estabelecer um canal seguro de comunicação com o advogado, desconfiar de contatos desconhecidos e de pedidos urgentes de pagamento, conferir os dados do profissional e verificar as informações sobre o processo antes de realizar qualquer transferência. A atuação conjunta permite multiplicar a mensagem preventiva e alcançar pessoas que dificilmente seriam atingidas exclusivamente pelos canais institucionais da advocacia. Registros fortalecem o trabalho de investigação A evolução dos indicadores reforça a importância de manter e ampliar a estratégia adotada. Além de fazer a informação chegar antes do golpe, o trabalho desenvolvido pela OAB Paraná busca transformar os registros recebidos em elementos que também possam contribuir com a atuação das autoridades responsáveis pela investigação. Um dos avanços nesse sentido foi a criação, dentro da estrutura da OAB Paraná, de um canal específico de acesso para a Polícia, por meio do qual as autoridades policiais podem buscar dados e informações relacionados aos registros realizados pela população no canal de denúncias da Seccional. A medida fortalece a integração entre a atuação institucional da OAB e o trabalho investigativo, permitindo que as informações reunidas pela entidade possam auxiliar as autoridades na identificação de conexões entre ocorrências, padrões de atuação e outros elementos relevantes para as investigações. Por isso, a orientação é para que toda tentativa ou ocorrência seja registrada, inclusive quando o golpe for identificado a tempo e não houver prejuízo financeiro. Além da comunicação pelo canal da OAB Paraná, é fundamental registrar o Boletim de Ocorrência, presencialmente ou pela Delegacia Eletrônica. A orientação é fornecer o maior número possível de elementos: números de telefone utilizados pelos criminosos, chaves Pix e dados bancários, prints das conversas, áudios, documentos utilizados na fraude e, quando disponíveis, informações sobre as pessoas que acessaram o processo. O registro policial é fundamental para que as autoridades possam reunir e cruzar informações provenientes de diferentes ocorrências e aprofundar as investigações. Já os dados comunicados à OAB permitem acompanhar a dimensão e a evolução do problema, direcionar as ações institucionais e preventivas e, por meio do canal disponibilizado à Polícia, também servir de subsídio ao trabalho investigativo. “Quanto mais informação conseguimos reunir, maior é a capacidade de enfrentamento. O registro na OAB nos permite acompanhar o fenômeno e direcionar nossas ações, e hoje essas informações também estão acessíveis às autoridades policiais para auxiliar nas investigações. Mas é fundamental que a vítima ou a pessoa que identificou a tentativa faça também o Boletim de Ocorrência, levando todos os elementos disponíveis. Mesmo quando o golpe não se concretiza, aquela informação pode ajudar a polícia a estabelecer conexões com outros casos e chegar aos criminosos”, afirma Pereira. Resultado reforça a continuidade das ações A queda proporcional dos casos com prejuízo financeiro ocorre em um cenário no qual o número total de registros passou de 2.103 para 3.600. Para a OAB Paraná, os indicadores reforçam a necessidade de continuar investindo simultaneamente em informação, prevenção, articulação institucional e apoio às investigações.A estratégia também reconhece que o golpe do falso advogado não é um problema restrito à classe profissional. Ao utilizar indevidamente nomes, fotografias e informações relacionadas a advogados e processos judiciais, os criminosos exploram a relação de confiança entre profissionais e clientes e atingem diretamente cidadãos e famílias.“Ao mesmo tempo, 806 pessoas ainda tiveram prejuízo neste ano, e esse número não nos permite acomodação. Precisamos ampliar a prevenção e, principalmente, incentivar o registro das ocorrências, para que as autoridades tenham cada vez mais elementos para investigar e responsabilizar esses criminosos”, ressalta Pereira. Atuação institucional A OAB Paraná seguirá ampliando as ações de prevenção e orientação, a cooperação com as autoridades policiais, o diálogo com os tribunais, instituições financeiras e plataformas digitais e, especialmente, as parcerias com municípios e instituições capazes de fazer a informação chegar cada vez mais longe. A proposta é consolidar uma rede estadual de enfrentamento que reúna advocacia, poder público, forças de segurança, sistema de Justiça, instituições financeiras, plataformas digitais, meios de comunicação e sociedade.“A dimensão desse problema exige união institucional. Não basta alertarmos dentro da OAB. Precisamos fazer essa informação chegar às cidades, aos bairros, às famílias e, principalmente, às pessoas antes que elas sejam abordadas pelos criminosos. Cada parceria amplia nossa capacidade de prevenção. A OAB Paraná seguirá firme nessa pauta, que hoje não diz respeito apenas à advocacia, mas atinge diretamente toda a sociedade”, afirma Pereira. Informação, prevenção, registro e integração institucional permanecem como pilares desse enfrentamento. Quanto maior a rede de instituições envolvidas, maior a possibilidade de fazer a orientação chegar antes do golpe e de reunir elementos que contribuam para a identificação e responsabilização dos criminosos.
21/09/2026 (00:00)
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